Artigos

Quanto carbono uma árvore realmente sequestra?

Posted at 15 de dezembro de 2009 | By : | Categories : Artigos | 0 Comment

Quanto carbono uma árvore realmente sequestra?

 

Escrito por Fernanda Carreira   

Seg, 07 de Dezembro de 2009 17:18

O plantio de diferentes espécies de árvores, que crescem com velocidade completamente distintas, influencia no cálculo de carbono sequestrado
 

Com o avanço do aquecimento global, tornou-se comum encontrarmos, na internet, calculadoras para quantificar quantas árvores precisamos plantar para compensar nossas emissões de gás carbônico e, assim, reduzir nossa parcela de culpa pelo efeito estufa. No entanto, como aponta Jeanicolau Simone de Lacerda, consultor em negócios florestais da KEYASSOCIADOS, por trás de cada uma dessas calculadoras, metodologias e referências distintas fazem com que os resultados variem bastante. “Afinal, uma muda de jequitibá cresce de forma e com velocidade completamente distinta de uma muda de picea (espécie de clima frio) plantada na Rússia”, destaca Lacerda.

 Diante dessa dúvida, o consultor de negócios florestais foi a campo para verificar com quanto contribuímos para fixação de carbono a partir do plantio de espécies nativas da Mata Atlântica. O trabalho, publicado agora pela revista Metrvm, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ) da Universidade de São Paulo (USP), avalia os modelos de biomassa florestal e o teor de carbono de espécies nativas amplamente utilizadas em áreas de restauração florestal no Estado de São Paulo.

O modelo desenvolvido estima o carbono fixado pelas árvores num horizonte de 20 anos, tendo como variável dependente o diâmetro das árvores. “Ou seja, agora, para povoamentos de Mata Atlântica semelhantes aos medidos, pode-se estimar o teor de carbono fixado pelas árvores a partir de uma simples medição de diâmetro delas”, explica Lacerda.  

De acordo com o consultor de negócios florestais, para que o modelo apresente uma confiabilidade maior, será necessário que sejam feitas remedições bianuais, nas mesmas árvores, para que o modelo seja constantemente ajustado e seu grau de confiabilidade vá aumentado com o tempo.

Segundo ele, na etapa do projeto já desenvolvida, além da coleta de amostras para análises laboratoriais, de carbono e densidade básica, foram também medidos outros elementos, como o diâmetros e o comprimento do tronco das árvores, e o peso da madeira e das folhas. “Foram avaliadas áreas de quatro reflorestamentos distintos implantados entre 2000 e 2005 no estado de São Paulo”, diz.

Jeanicolau Lacerda detalha que os resultados mostram que há grande variação no crescimento das florestas plantadas com essências nativas. Além de aspectos de clima e solo locais, essas diferenças se devem aos tratos culturais recebidos pelas plantas e à qualidade das mudas plantadas. “O material genético também faz diferença, visto que, em cada região, os plantios foram executados por diferentes instituições”, complementa.

 Para ele, os cálculos resultaram numa estimativa média de 249,60 quilogramas de CO2 equivalente fixados, até o vigésimo ano, pelas árvores amostradas. Porém, dadas todas as restrições da pesquisa, aliadas ao fato de a curva de crescimento das árvores provavelmente não ser linear, concluiu-se que esse indicador poderia estar superestimado. Para que pudesse ser feito um cálculo mais exato seria necessário acompanhar a curva de crescimento das árvores por mais tempo. Como indicado acima, esse acompanhamento já está previsto na continuidade da pesquisa.

O problema é que a demanda por um índice de compensação de CO2-equivalente é imediata, sendo necessário agora um número para balizar as conversões feitas no Brasil.

Assim, com uma atitude conservadora, foram adotados os resultados identificados na pior amostra observada (na região de Valparaíso-SP), tendo sido projetada a captação de 140 kg CO2-equivalente por árvore aos 20 anos de idade. Desse modo, enquanto não dispusermos de uma curva de crescimento totalmente confiável, podemos trabalhar com o número de 7,14 árvores da Mata Atlântica para compensar cada tonelada de CO2-equivalente emitida.

 Caso você tenha interesse de compensar as emissões de gás carbônico de sua empresa, entre em contato com o IBFLORESTAS. Nosso Instituto, em parceria com profissionais especializados, faz inventários de emissões de GEE e quantifica o número de árvores a serem plantados para neutralizar a atividade.

 Lembre-se que além de atuar no combate ao Aquecimento Global, ao capturar o carbono (um dos principais GEE causador do Efeito Estufa), o plantio de árvores contribui na preservação dos recursos hídricos e na proteção da biodiversidade.

Fonte:http://www.oeco.com.br/convidados/64-colunistas-convidados/23034-afinal-quanto-carbono-uma-arvore-sequestra

Termos mais procurados: mudas nativas; serviços ambientais; plante árvore; apoio a projetos; compensação de carbono.

About martins

Leave a Comment

You must be logged in to post a comment.